Ricardo Veríssimo & ConteúdoArtigo
Agronegócio · Vendas e atendimento

Palestrante de Vendas para o Agronegócio: Como Preparar Equipes Comerciais para Vender no Campo

Ao contrário do que muitos pensam, vender não é igual para todos os tipos de público e vender no agro requer conhecer as especificidades do agronegócio.

Ao contrário do que muitos pensam, vender não é igual para todos os tipos de público e vender no agro requer conhecer as especificidades do agronegócio.

Vender para o agronegócio não significa simplesmente pegar as mesmas técnicas utilizadas em outros mercados e aplicá-las no campo.

O vendedor que chega a uma propriedade rural, cooperativa, revenda, distribuidora ou empresa do agronegócio acreditando que basta conhecer bem seu produto e apresentar uma proposta comercial pode descobrir rapidamente que vender no agro exige muito mais.

Quem compra uma máquina, um equipamento, um insumo, uma solução tecnológica, um serviço financeiro ou qualquer outra solução destinada ao agronegócio não está analisando apenas características e preço.

Existe um negócio por trás daquela decisão.

Existe produtividade.

Existe margem.

Existe risco.

Existe clima.

Existe tempo.

Existe dinheiro investido.

E, principalmente, existem consequências quando uma decisão é tomada de maneira errada.

Por isso, preparar equipes comerciais para vender no campo exige desenvolver vendedores capazes de compreender o negócio do cliente, identificar necessidades, construir confiança, apresentar valor e manter relacionamentos comerciais que não terminam quando o pedido é fechado.

Essa é uma das principais questões que devem ser trabalhadas por um palestrante de vendas para o agronegócio: técnicas comerciais continuam importantes, mas precisam ser aplicadas à realidade de um mercado que possui características próprias.

Vender no campo não é simplesmente levar as mesmas técnicas de vendas utilizadas na cidade para dentro de uma propriedade rural. É preciso entender o negócio, o tempo, os riscos e a realidade de quem produz.

Ricardo Veríssimo em evento da Sicoob

Antes de vender para o produtor, entenda como ele ganha dinheiro

Um dos maiores erros de qualquer vendedor é conhecer profundamente aquilo que vende e muito pouco sobre o negócio de quem compra. No agronegócio, esse erro pode se tornar ainda mais evidente.

Também é necessário compreender que o tempo comercial nem sempre é definido pelo vendedor. Safra, plantio, colheita, condições climáticas, disponibilidade de crédito e momento de investimento podem interferir na decisão. Quem vende para o campo precisa compreender esses ciclos para não confundir falta de interesse com falta de oportunidade naquele momento.

O produtor rural não compra simplesmente um produto.

Ele pode estar comprando uma possibilidade de aumentar produtividade, reduzir perdas, melhorar eficiência, diminuir custos, proteger sua produção, facilitar uma operação ou resolver um problema que compromete seus resultados.

Isso significa que a equipe comercial precisa ir além da ficha técnica.

Um vendedor pode conhecer todas as especificações de uma máquina e ainda assim não conseguir demonstrar por que aquele investimento faz sentido para determinada propriedade.

Pode conhecer profundamente um software, mas não conseguir relacionar a tecnologia aos problemas enfrentados pelo cliente. Pode saber tudo sobre determinado produto e quase nada sobre a operação de quem pretende comprá-lo.

Conhecimento técnico ajuda a explicar o produto. Conhecimento do negócio ajuda a vender a solução.

Quanto mais complexa for a venda, maior será a necessidade de compreender o contexto do cliente.

O vendedor do agronegócio precisa aprender a perguntar

Existe uma diferença enorme entre visitar um cliente para apresentar um produto e visitar um cliente para compreender uma necessidade.

Na primeira situação, o vendedor chega preparado para falar. Na segunda, chega preparado para ouvir.

Qual é o momento atual da operação?

Quais dificuldades estão sendo enfrentadas?

O que o cliente já utiliza?

O que gostaria de melhorar?

Qual impacto determinado problema provoca na produtividade, no custo ou no resultado?

Quais critérios serão considerados para tomar a decisão?

Nem todas essas perguntas serão feitas da mesma forma ou no mesmo momento. O importante é compreender a lógica.

Perguntas fazem o vendedor sair da apresentação genérica e entrar na realidade do cliente.

Quando isso acontece, a conversa deixa de girar exclusivamente em torno do produto e passa a girar em torno do negócio. É justamente nesse ponto que começa uma venda mais consultiva.

No agronegócio, confiança também faz parte da venda

Confiança é importante em praticamente qualquer relação comercial.

No agronegócio, pode assumir um peso ainda maior, principalmente em vendas de maior valor, contratos recorrentes ou soluções que impactam diretamente a operação do cliente.

Imagine comprar um equipamento de alto valor de uma empresa na qual você não confia. Ou contratar uma solução que será importante durante uma etapa crítica da produção sem acreditar que o fornecedor estará disponível caso aconteça algum problema.

A decisão não envolve apenas aquilo que está sendo comprado. Envolve também a percepção sobre quem está vendendo e sobre a empresa que estará por trás daquela solução depois da assinatura. Por isso, confiança não pode ser tratada como uma técnica de fechamento.

Ela é construída durante todo o processo. Na forma como o vendedor cumpre aquilo que promete, na qualidade das informações que apresenta, na sinceridade quando não possui uma resposta, na velocidade com que retorna, na capacidade de reconhecer quando determinada solução não é adequada e no comportamento depois que a venda foi realizada.

Quem confia vende mais.

No agro, essa confiança pode abrir portas que uma apresentação comercial sozinha jamais abriria.

Relacionamento não significa ausência de técnica

Existe um risco quando se fala sobre vendas no agronegócio: acreditar que relacionamento resolve tudo. Não resolve.

Ter boa relação com clientes ajuda, mas relacionamento sem processo comercial pode produzir vendedores muito conhecidos e pouco produtivos.

O profissional visita, conversa, toma café, conhece a família, acompanha o cliente durante anos, mas não consegue identificar oportunidades, conduzir negociações ou avançar comercialmente. Relacionamento e técnica não são adversários.

Eles precisam trabalhar juntos.

O vendedor pode preservar uma excelente relação com o produtor e, ao mesmo tempo, saber fazer perguntas, identificar necessidades, apresentar valor, negociar e conduzir uma decisão.

Um treinamento de vendas para o agronegócio precisa justamente ajudar o profissional a transformar relacionamento em confiança e confiança em oportunidades comerciais legítimas.

Sem pressão, sem manipulação e sem destruir uma relação que pode valer muito mais do que uma única venda.

Vender valor é diferente de defender preço

Quando uma negociação chega exclusivamente ao preço, o vendedor perde grande parte de sua capacidade de diferenciação. Se o cliente enxerga duas propostas como iguais, é natural que procure pagar menos.

O problema é que, muitas vezes, as propostas não são iguais.

Podem existir diferenças em qualidade, produtividade, durabilidade, assistência, prazo, suporte, tecnologia, disponibilidade, logística, segurança, conhecimento técnico ou retorno sobre o investimento. Contudo, se o vendedor não consegue demonstrar essas diferenças, elas praticamente deixam de existir na percepção do comprador.

Por isso, uma equipe comercial precisa aprender a construir valor antes de entrar na negociação de preço. Isso não significa fugir da discussão financeira.

Significa fornecer elementos para que o cliente consiga avaliar custo, benefício, risco e retorno, em vez de simplesmente comparar números.

Um vendedor que sabe falar apenas de desconto torna-se dependente do preço. Um vendedor que compreende o negócio consegue discutir impacto.

Cada produtor não compra da mesma maneira

Outro erro é tratar o agronegócio como se todos os clientes possuíssem o mesmo comportamento. Não possuem.

Existem compradores extremamente técnicos e compradores que querem dados e informações detalhadas antes de tomar uma decisão. Outros valorizam velocidade, alguns desejam testar e outros querem referências.

Existem clientes mais conservadores e outros mais abertos a novas soluções e tecnologias.

Há decisões individuais e decisões que envolvem familiares, sócios, gestores, técnicos, consultores ou outros participantes. Por isso, utilizar exatamente a mesma apresentação comercial com todos os clientes pode reduzir a eficiência da equipe.

O produto pode ser o mesmo. A maneira de vender não precisa ser.

Um vendedor preparado aprende a observar comportamento, identificar critérios de decisão e adaptar sua comunicação sem perder a essência da proposta.

Minuto Vendas Podcast

Ouça um episódio do Minuto Vendas

Selecionando um episódio pelo RSS oficial do Spotify.

O vendedor precisa conhecer a jornada de decisão

Nem toda visita ao cliente precisa terminar em pedido. E esse é um ponto importante. Principalmente em vendas mais complexas, existem diferentes etapas até a decisão.

O cliente pode estar identificando um problema, pesquisando alternativas ou comparando fornecedores. Pode precisar de aprovação, estar esperando o momento adequado para investir ou ainda não perceber que possui uma necessidade que merece atenção.

Quando o vendedor tenta fechar uma venda antes de o cliente estar preparado para decidir, a pressão aumenta.

Quando compreende a etapa em que o cliente se encontra, consegue definir melhor qual deve ser o próximo passo.

Às vezes, o objetivo da visita será fechar.

Em outras situações, será conseguir uma nova reunião, apresentar um estudo, realizar uma demonstração, envolver outro decisor ou simplesmente manter a oportunidade ativa.

Vender bem também significa saber qual avanço buscar em cada interação.

Follow-up no agro não pode ser “e aí, decidiu?”

Depois de uma visita, demonstração ou proposta, começa uma etapa que muitas equipes comerciais executam mal: o acompanhamento. O vendedor liga alguns dias depois e pergunta:

“Conseguiu analisar a proposta?”

Ou:

“E aí, decidiu?”

Se a resposta for negativa, agenda mentalmente outra ligação para repetir a mesma pergunta. Isso não é uma estratégia de follow-up.

É cobrança.

Um bom acompanhamento precisa acrescentar alguma coisa ao processo. Pode trazer uma informação relevante, responder uma dúvida, apresentar um dado técnico, retomar um ponto discutido durante a visita, mostrar uma aplicação, reforçar uma diferença importante ou simplesmente combinar de maneira clara qual será o próximo passo.

Quanto maior o ciclo de vendas, mais importante se torna possuir método para acompanhar oportunidades. O vendedor não pode depender exclusivamente da memória para saber quem precisa ser procurado e quando.

Tecnologia e inteligência artificial podem aumentar a produtividade comercial

O agronegócio brasileiro está cada vez mais conectado à tecnologia, e as equipes de vendas também precisam acompanhar essa evolução.

CRM, aplicativos, análise de dados, automação e inteligência artificial podem ajudar vendedores a organizar informações, preparar visitas, construir abordagens, registrar oportunidades e melhorar o acompanhamento de clientes.

A inteligência artificial, por exemplo, pode apoiar o vendedor na preparação para uma reunião, na organização de informações sobre determinado segmento, na elaboração de perguntas, na análise de históricos comerciais ou na estruturação de um follow-up.

Mas existe um princípio que não pode ser esquecido:

Tecnologia deve aumentar a capacidade do vendedor, não substituir sua capacidade de pensar.

Um vendedor com processo ruim utilizando inteligência artificial pode apenas executar um processo ruim com mais velocidade. Por isso, antes de implementar ferramentas, a empresa precisa definir como deseja vender.

Tecnologia potencializa processo. Não cria estratégia comercial sozinha.

Uma palestra de vendas para o agronegócio precisa falar a linguagem do negócio

Uma palestra genérica sobre motivação comercial pode gerar energia durante algumas horas, mas, se o objetivo é desenvolver uma equipe que vende para o agronegócio, o conteúdo precisa conversar com os desafios enfrentados por esses profissionais.

Como construir confiança?

Como descobrir necessidades?

Como apresentar valor?

Como adaptar a comunicação?

Como negociar sem depender exclusivamente de desconto?

Como realizar follow-up?

Como utilizar inteligência artificial para aumentar produtividade?

Como transformar conhecimento técnico em argumento comercial?

Como manter relacionamento sem perder o foco em resultado?

Esses são exemplos de temas que podem fazer parte de uma palestra de vendas para o agronegócio.

O conteúdo precisa aproximar técnicas comerciais da realidade da equipe.

Quanto mais o vendedor consegue visualizar como aplicar aquilo na próxima visita, reunião ou negociação, maior tende a ser o valor percebido no treinamento.

Treinar vendas no agro não significa ensinar truques de fechamento

Equipes comerciais de alta performance não são construídas com frases mágicas. Também não existe uma técnica capaz de fazer qualquer produtor comprar qualquer produto.

Preparar uma equipe para vender no campo significa desenvolver competências.

Capacidade de ouvir, de perguntar, conhecimento do cliente, comunicação, negociação, construção de valor, relacionamento, organização comercial, follow-up, uso inteligente de tecnologia e, principalmente, capacidade de construir confiança.

O agronegócio evoluiu. A tecnologia evoluiu. O acesso à informação evoluiu. Os compradores também evoluíram. As equipes comerciais precisam acompanhar essa transformação.

A empresa que compreender isso deixará de procurar apenas vendedores que conheçam seus produtos e começará a desenvolver profissionais capazes de entender o negócio de seus clientes.

Porque, no final, vender no campo não deveria ser uma disputa para descobrir quem consegue pressionar mais ou conceder o maior desconto. É uma construção de valor. E valor começa quando o vendedor deixa de perguntar apenas:

Como posso vender meu produto?”

E passa a perguntar:

Como aquilo que eu vendo pode melhorar o negócio deste cliente?”

Essa mudança aparentemente simples transforma completamente a conversa comercial.

Palestras e treinamentos de vendas para o agronegócio

Ricardo Veríssimo realiza palestras e treinamentos de vendas para empresas do agronegócio, cooperativas, indústrias, distribuidores, representantes comerciais e organizações que possuem equipes responsáveis por vender produtos e serviços para o campo.

Os conteúdos podem ser adaptados à realidade comercial de cada empresa, trabalhando temas como vendas consultivas, comportamento do cliente, construção de confiança, identificação de necessidades, percepção de valor, negociação, tratamento de objeções, follow-up, relacionamento comercial e utilização da inteligência artificial aplicada às vendas.

Ricardo Veríssimo é palestrante de vendas, administrador, bacharel em Direito, especialista em Psicologia e autor de 10 livros. Atua há mais de duas décadas no ambiente empresarial e há mais de 15 anos como palestrante, desenvolvendo equipes comerciais de empresas de diferentes segmentos em todo o Brasil. Saiba mais em: ricardoverissimo.com.br

Continue aprendendo

Como Empresas do Agronegócio Podem Prospectar Novos Clientes Utilizando Inteligência Artificial.

Como Construir um Processo Comercial para Empresas do Agronegócio

A Cooperativa do Agro Perde Venda Quando o Balcão Não Conversa com o Campo

Ler mais artigos
Compartilhar este artigo
LinkedInFacebookXThreadsWhatsApp

Quer preparar sua equipe para vender no agronegócio?

Conheça as palestras e treinamentos de Ricardo Veríssimo para empresas do agronegócio, adaptados à realidade comercial da sua equipe.

Conhecer palestras para o agronegócio